sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dia #6 - Santa Bárbara / Ouro Preto

O frio da manhã de Santa Bárbara foi o maior que encontramos na viagem. Manguito e jaqueta foi pouco para aguentar o vento das descidas. Acordamos na pousada sem água (!!!). Imaginem como foi escovar os dentes, usar o banheiro, etc... melhor nem comentar! Fomos saber mais tarde que houve um problema no abastecimento da rua. Interessante que haviamos comentado na noite anterior que estava havia sido a pousada com o melhor chuveiro da viagem. Mal sabiamos que aquelas eram as ultimas gotas de água deles. Pousada Circuito do Ouro (31) 3832 1373. Apesar da falta de água fomos muito bem recebidos.

Tomamos o café na padaria que fica embaixo da pousada, do mesmo dono e já incluído na diária. Últimos ajustes nas bikes e fomos encarar o frio!

Nossa meta, conseguir estender o máximo a viagem e chegar a Ouro Preto. Sabíamos que seria uma dificuldade a mais, porém, estávamos buscando isso.

Já saindo de Santa Bárbara fomos seguindo os marcos da Estrada Real, viramos a direita em um posto de combustível e fomos embora. Passamos alguns marcos e ao verificar no GPS eu acho uma coisa estranha, estávamos indo para o lado errado. Ficamos na dúvida, o que estava errado? Os marcos ou o GPS? Paramos para perguntar se aquele caminho levava a Catas Altas e recebemos a negativa. Voltamos um pouco, marco sem as placas de inox (com as informações -alguns dos marcos foram depredados e nao possuem mais estras placas).




Voltamos mais um pouco e surpresa! O marco não apontava para Catas Altas, e sim para uma outra cidade fora do nosso trajeto. Resumo, andamos mais de 6 km desnecessariamente. Chegando perto do posto vemos o marco correto, para Catas Altas, que estava obstruído por um caminhão quando passamos por lá. Foi bom que esquentou o corpo!

Agora sim no caminho correto, vamos seguindo até chegar a outro marco estranho. Muito bom você ter problemas de navegação no dia que não se pode perder tempo com isso. O marco estava apontando pra Catas Altas no sentido CONTRARIO ao que estávamos indo. Desta vez achei mesmo muito esquisito e decidimos seguir o GPS. Interessante notar que a base do marco era de cimento fresquinho, como se tivesse acabado de ser colocado.

Poucos metros e nos deparamos com uma propriedade e um caminho bem apertado entre duas cercas. Este era nosso trajeto.


Fomos empurrando e pedalando neste caminho até sairmos em outra estrada de terra. Tudo certinho segundo a programação do GPS.



Nesta hora deu para entender tudo: para evitar que as pessoas passem por sua propriedade, o nosso amigo fazendeiro moveu o totem de sinalização para desviar as pessoas do caminho. Porém, ao fazer isso e desconhecendo a lógica dos totens, o colocou na posição inversa. Desta forma atrapalhando a viagem de muitos que se guiam apenas por eles. Parabéns para nosso querido amigo que contribui para confundir a sinalização do caminho!

Cruzamos a estrada e continuamos rumo a Catas Altas por largas estradas usadas por caminhões das usinas próximas e, depois, nossa paisagem muda para uma grande plantação de eucaliptos.





Muito bom que desta forma, e com o relevo plano, vamos esticando o dia e fazendo uma média mais alta que as dos dias anteriores. Assim como ontem, hoje eu é que estou ficando para trás. As dores na pernas e nos joelhos já são constantes e vou o tempo todo "negociando" com eles para podermos chegar bem.




Neste trecho passamos por um antigo aqueduto construído em 1792 que captava água da serra do Caraça e a levava aos garimpeiros.






Hora de fazer um "boulder"

A Serra do Caraça é nossa companheira em grande parte do dia. Vamos circulando ela o tempo todo, com um visual perfeito de seu grande maciço.


Panoramica feita com 5 fotos

Depois do aqueduto, pegamos um trecho que acompanha a linha de trem usada para escoar o minério da regiao.


Chegamos a Catas Altas, uma cidezinha muito bem conservada. A praça da igreja matriz, com suas contrucoes antigas sao verdadeiras peças de museu muito bem cuidadas.



A praça e o Caraça.

Parada rápida para comer alguns pacotes de pão de mel e beber alguma coisa. O café, apesar de ser em uma padaria, não foi grande coisa. Saudades dos interiores que passamos com suas comidas! Como o dia é longo, não nos estendemos na parada e logo voltamos pra estrada. Começamos agora a fase do minério. Andamos daqui pra frente em estradas de minério de ferro, "ouro" dos dias atuais, extraído com muita ganância, como foi possível ver durante todo o resto do dia. Cruzamos também vários riachos, a água é abundante neste caminho.



Passamos pelo vilarejo de Morro d'Água Quente e chegamos no asfalto para uma subida longa e exaustiva rumo a Santa Rita Durão. Muito cuidado nesta hora pois pelo jeito os motoristas não esperam bicicletas nesta estrada. Vários passam perto e sem reduzir, ainda bem que nesta viagem andamos mais de 95% do tempo em estradas não asfaltadas!

No topo da subida fugimos do asfalto e voltamos para o minério, desta vez quebrado e solto, uma espécie de "areia" feita com pequenas pedrinhas que escorrega muito! Subimos mais um pouco e, lógico, descemos para chegar na cidade. Lá embaixo, no leito do rio, ainda vemos alguns garimpeiros procurando, imagino eu, ouro. De forma arcaica, com bateia e pá. Devem encontrar algo pois eram muitos nesta atividade.




Em Santa Rita paramos muito rapidamente para tomar alguma coisa e vamos seguir a viagem. Na saida da cidade uma pinguela no lugar de uma ponte. Pelo jeito existia uma ponte para carros mas ela está sendo recostruida.

Novamente, largas estradas para os caminhões de minério. Estradas de terra muito bem conservadas. Passamos por várias entradas de minas da Vale.

No pequeno vilarejo de Bento Rodrigues encontramos com outros 3 ciclistas de Mariana. Tivemos boas noticias da estrada e ficamos muito mais animados. Afinal, lá já tínhamos completado 60km e ainda faltava muito. Conversamos com o pessoal e eles decidem nos acompanhar nos próximos quilômetros. Vamos conversando bastante, contando da viagem e eles nos dando dicas da região.





A estrada agora fica um pouco mais estreita e com subidas e descidas mais fortes, porem, nada próximo do que passamos nos dois primeiros dias da jornada.




Apos 7 km chegamos a Camargos, vilarejo fundado em 1711. Paramos só para fotos pois ainda tínhamos muito chão pela frente.

Mais um pouco de serra, uma forte descida nos leva até Mariana, que foi capital das Capitanias de Minas e São Paulo até 1740, quando perdeu o titulo para Ouro Preto.

Estranhamos que estava tudo fechado e logo descobrimos que era feriado municipal. Não bastasse isso, descobrimos que chegamos no mesmo horário que chegou o governador do estado, Aécio Neves, para uma cerimônia na praça publica. Não é preciso falar da zona de pessoas e policiais que estava a cidade.



Tomamos nosso jeito de sair daquilo tudo e encontrar um lugar mais calmo para comer, já que 11km de uma subida única nos separava do destino final.



E foi isso. Comemos um misto quente na frente do hospital da cidade, preparamos o espírito e montamos na bicicleta para esses últimos 11km. Os pés tocariam o chão novamente só em Ouro Preto. Eram 11km apenas, porem, 11km que sairíamos dos 700m de Mariana e chegaríamos aos 1150m de Ouro Preto em uma única subida.

Subimos, subimos muito, e o corpo já não aguentava mais. As pernas não reclamavam tanto, mas os joelhos e principalmente o assento reclamavam. Tentar ir em pé melhorava um deles mas piorava o outro, e assim fomos até os 1150m.

No final da subida, faltando ainda alguns quilômetros para chegar, foi possível ver a praça! A Praça Tiradentes, ainda lá embaixo, deu o animo final para disparar na subida e chegar mais rápido. No topo juntamos novamente os tres para chegarmos unidos no nosso destino final.



CHEGAMOS! Chegamos e comemoramos muito! Foi uma sensação indescritível. Saber que o que era um sonho, uma loucura, chegou ao fim. Cumprimos o que dizíamos que iríamos fazer. Pensamos varias vezes que nao seria possível. Vários dias chegamos na pousada com a certeza de que Ouro Preto estava muito longe, mas hoje não, estávamos lá! Foram 427km de muitas historias (porcamente contadas por este blog) que estarão pra sempre dentro de nós.

Voltamos pra casa com o real sentimento de missão cumprida. Voltamos com saudades dos lugares e das pessoas que encontramos pelo caminho. Mas com a certeza que aproveitamos cada quilometro, cada pedalada, cada morro que tivemos no caminho.

Uma viagem, uma aventura que todos deveriam ter o privilégio de um dia poder fazer. Agora é hora de planejar as próximas.

3 comentários:

Anônimo disse...

Luciano, sou irmã do Humberto.
Primeiro parabéns pela aventura. Massa demais! Minhas aventuras são de moto, todo fim de de semana uma cidadezinha. Esse talvez Catas Altas pela terceira vez ou Congonhas (encontro). Aqui, passa um email pra Secretaria de Turismo de Minas Gerais e fala sobre a 'des'marcação rumo a Catas Altas. Esse email é da Diretoria de pesquisas e informações turísticas: informasetur@turismo.mg.gov.br
Ou entra nesse site:
http://www.turismo.mg.gov.br/index.php?option=com_joomap&Itemid=62

Denise

Anônimo disse...

Luciano,parabéns!!!
Vc sempre foi determinado nos seus projetos e sonhos...de voos,a viagens de moto até as pedaladas...
Sempre superando seus limites.Isto faz de vc um forte!!!Amo vc! Tia Graça

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.